CONSUMO NOS LARES

Consumo nos lares cai 1,46%: a queda que setembro repete

06 de novembro de 2026 por Catronis 6 min de leitura
← Voltar ao blog

O Consumo nos Lares Brasileiros caiu 1,46% em setembro na comparação com agosto, em valores reais — ou seja, já descontada a inflação do período. É o terceiro setembro seguido de queda: -1,30% em 2024 e -0,94% em 2025. O dado é do monitoramento mensal da ABRAS, atualizado em 30 de outubro de 2026.

A leitura fácil é "o consumo caiu". A leitura útil é outra: setembro cai todo ano, e o que muda de um ano para o outro é a profundidade da queda. Em 2026 ela veio mais funda que nas duas edições anteriores, logo depois de dois meses de alta — 3,01% em julho e 2,21% em agosto, na mesma série.

O que o índice mede — e o que ele não mede

O número sai do Departamento de Economia e Pesquisa da ABRAS, é deflacionado pelo IPCA do IBGE e contempla todos os formatos de supermercado, do mercado de bairro ao hipermercado. Não é faturamento de uma rede, nem venda de um estado: é uma média nacional de consumo das famílias.

Em setembro o IPCA subiu 0,82% no mês e acumula 4,58% no ano. Essa é a régua usada para separar preço de volume. Sem ela, um mês de reajuste generalizado parece crescimento.

Setembro cai há três anos: é calendário, não crise

Na série real, mês contra mês anterior, o nono mês fechou negativo em 2024 (-1,30%), em 2025 (-0,94%) e em 2026 (-1,46%). O padrão se repete porque a base de agosto é alta: agosto de 2026 veio com 2,21% de avanço, e julho, com 3,01%.

Barras com a variação real do consumo nos lares em setembro de 2024, 2025 e 2026: -1,30%, -0,94% e -1,46%

Setembro fecha negativo nos três anos da série recente — a queda de 2026 é a mais intensa. Fonte: ABRAS, Consumo nos Lares Brasileiros (30/10/2026).

Para quem opera loja isso muda a pergunta. Não é "por que caí em setembro", é "quanto caiu comparado com o mesmo setembro do ano passado". Na comparação anual, setembro de 2026 ficou 0,59% acima de setembro de 2025 — positivo, mas bem abaixo do ritmo dos meses anteriores. No acumulado de janeiro a setembro o consumo cresce 2,70%, praticamente igual aos 2,71% acumulados até agosto: o ano não desandou, apenas parou de acelerar.

A receita nominal cresce mais que o volume vendido

Aqui está o ponto que mais interessa ao caixa. Na comparação com agosto, a receita nominal recuou 0,65% e o volume real caiu 1,46%. Na comparação com setembro do ano passado, a receita nominal subiu 1,41% e o volume real, 0,59%. E no acumulado do ano: 3,54% nominais contra 2,70% reais.

Barras agrupadas comparando variação nominal e real do consumo nos lares em setembro e no acumulado de 2026

Em todas as comparações o valor que entra no caixa cresce mais que o volume físico. Fonte: ABRAS, índice do mês (30/10/2026) e IPCA/IBGE.

A diferença entre as duas colunas é preço. No mês, ela é de 0,83 ponto percentual — praticamente o IPCA de setembro (0,82%). Traduzindo: o que o consumidor gastou a mais em reais foi, na prática, o reajuste da gôndola, não mais mercadoria saindo da loja.

Por que isso muda a meta da loja

Loja que mede desempenho só por faturamento lê esse mês como crescimento. Loja que separa volume de preço vê outra coisa: a receita subiu, a quantidade de produto vendida subiu menos, e o custo fixo do mês não acompanhou nenhum dos dois. Repasse de preço não paga folha nem energia, e essa conta já apertou do outro lado — o custo de carregar estoque parado com juro alto foi tema do nosso post sobre estoque e Selic na Black Friday.

O que segurou o consumo: renda, emprego e transferências

A ABRAS atribui a sustentação do ano a um mercado de trabalho aquecido. Segundo a PNAD Contínua, a desocupação ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, com 103,5 milhões de pessoas ocupadas — o maior contingente da série. O rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.777 (+3,7% sobre 2025) e a massa de rendimento, a R$ 385,6 bilhões (+4,8%, ou R$ 17,5 bilhões a mais).

Somarão a isso as transferências do período: R$ 13,04 bilhões de Bolsa Família para cerca de 19,3 milhões de famílias em setembro, R$ 3,22 bilhões em Requisições de Pequeno Valor liberados pela Justiça Federal e R$ 1,24 bilhão do quarto lote de restituição do Imposto de Renda, pago no fim de agosto.

Renda em alta com volume empatado desenha o consumidor de 2026: ele compra, mas compra menos por real gasto, e troca marca com mais frequência. Para a loja, o efeito aparece no mix antes de aparecer no faturamento.

Três contas para fazer no seu próprio caixa

Nenhuma delas depende da ABRAS. Dependem do que a sua loja já registra todos os dias.

  1. Transações, tíquete e itens por cupom. Se as transações caem e o tíquete sobe, o problema é fluxo de gente na loja. Se as duas coisas caem, o problema é preço ou sortimento. Se o tíquete sobe e os itens por cupom caem, o cliente está levando menos produto pelo mesmo dinheiro — exatamente o retrato do índice nacional.
  2. Margem por categoria contra ruptura. Vender menos com margem maior pode ser melhor que vender mais com margem esmagada, mas só se a gôndola estiver cheia. Ruptura escondida é a queda de volume que não aparece no relatório de vendas, porque o produto que falta não fatura zero — simplesmente não existe no cupom.
  3. Compra ancorada na curva da própria loja. Comprar julho, agosto e setembro pelo mesmo médio do semestre é como o estoque de perecível vira descarte em novembro. A curva de cada categoria na sua loja vale mais que a média do setor para decidir pedido.

O que fazer com o dado de novembro

Com a queda de setembro já absorvida, a atenção vira para o último trimestre: Black Friday, 13º salário e Natal concentram a decisão de compra do ano. O consumo acumulado de 2,70% não garante que a sua loja vá repetir o número — ele indica apenas o tamanho do bolo, nunca a fatia.

A ressalva honesta

O índice é uma média nacional de consumo das famílias em supermercados, deflacionada pelo IPCA. Ele não diz nada sobre uma loja específica, sobre uma cidade ou sobre um formato: dentro de uma média de 0,59% de alta anual cabem lojas com dois dígitos de crescimento e lojas com queda de dois dígitos. Usar o dado do setor como meta da sua operção é o erro mais comum de leitura. Serve como contexto para compra e precificação; a meta continua sendo a sua.

Trocar o número do setor pelo número da própria loja é justamente o que o Controle de Estoque do ERP Catronis faz: cada venda do PDV cai por item, a sugestão de compra parte do giro real da loja, e o inventário fecha a conta no fim do mês — sem depender de planilha paralela. Para ler vendas, margem e ruptura na mesma tela, o caminho é o ERP Catronis para supermercado; se a operação é de bairro, o mesmo controle está em sistema para mercado pequeno.

Fontes: ABRAS – Consumo nos Lares, índice do mês (atualizado em 30/10/2026); ABRAS Clipping, 30/10/2026; Agência Brasil, 29/10/2026.

Gostou do conteúdo? Compartilhe:

Leia também

ciberataque em supermercado cadeia de frio

Ciberataque em supermercado: freezers a 50°C em 400 lojas

Hackers assumiram a refrigeração de 400 lojas na França e voltaram em seis países. O que a loja precisa checar e registrar antes de perder o estoque.

03 de novembro de 2026 · por Catronis

Conheça o CATRONIS Erp

O sistema completo para o seu varejo: PDV off-line, estoque, fiscal e financeiro — com suporte de verdade.

Quero uma demonstração