INFLAÇÃO DOS ALIMENTOS

Inflação dos alimentos: hortifrúti puxa a alta de outubro

26 de outubro de 2026 por Catronis 6 min de leitura
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O IPCA-15 de outubro veio em 0,32%, menos da metade dos 0,70% de setembro. No noticiário, alívio. Na loja, meia verdade: o índice só desacelerou porque energia elétrica (-0,89%) e passagens aéreas (-9,24%) caíram. A comida fez o caminho contrário e acelerou.

É o tipo de mês que separa quem lê manchete de quem lê planilha. Para quem opera supermercado, o número que importa não é o 0,32% do índice geral: é o 1,01% da alimentação no domicílio, concentrado no hortifruti e no básico da cesta.

Inflação dos alimentos: 1,01% em casa contra 0,32% do índice

Segundo o IBGE, o grupo Alimentação e Bebidas subiu 0,88% em outubro e respondeu sozinho por 0,19 ponto percentual dos 0,32% do índice — mais da metade da inflação do mês saiu do carrinho de compras. A alimentação no domicílio ficou em 1,01%, contra 0,38% em setembro.

Os itens que puxaram a alta são todos de giro rápido e margem curta: tomate (+24,54%), cebola (+13,63%), batata-inglesa (+10,96%) e arroz (+5,80%). Na outra ponta, cenoura (-10,67%), frutas (-1,37%) e café moído (-1,16%) aliviaram a conta. Em 12 meses, o IPCA-15 acumula 4,62%, acima do teto de 4,5% da meta.

Gráfico de barras com a variação mensal dos alimentos no IPCA-15 de outubro de 2026: tomate 24,54%, cebola 13,63%, batata-inglesa 10,96%, arroz 5,80%, alimentação no domicílio 1,01%, alimentação e bebidas 0,88% e cenoura -10,67%

Variação de outubro sobre setembro de 2026. Fonte: IBGE, IPCA-15 (coleta entre 16/9 e 14/10).

O que o relatório do canal mostra além do índice

Na mesma semana do IPCA-15, o Radar Scanntech de setembro mediu a inflação do próprio canal alimentar em 0,91% no mês — a maior em cinco meses, puxada pela cesta básica (+1,61%). O relatório serve porque separa o efeito por categoria e por formato de loja: é nesse recorte que a inflação deixa de ser número de índice e vira decisão de compra e de preço de gôndola.

Onde a alta se concentrou

Legume cresceu 31,8% em faturamento, mas o mérito é do preço: batata +97,3% e tomate +65,1% frente a setembro de 2025. Perecíveis como um todo subiram 6,5% em valor, com preço médio 8,1% maior e 1,4% menos unidades. A inflação do mês no canal ficou em 0,91%, a maior em cinco meses, puxada pela cesta básica (+1,61%).

Do lado que cai, a Mercearia Básica recuou 4,2% em faturamento, com açúcar (-20,3%), café (-15,8%) e óleo (-11,4%). O arroz, que vinha em queda, voltou a subir de preço (+8,2%) — e aparece no IPCA-15 como +5,80%. Quando o básico encarece, a primeira reação do cliente não é deixar de comprar: é trocar de marca e de embalagem.

A loja pequena sente primeiro

O corte por formato é o trecho mais útil do relatório. Lojas de 1 a 4 checkouts perderam 6% em unidades, com preço médio 8,4% maior e faturamento apenas 1,9% melhor. No atacarejo, o valor cresceu 1,6% com 1,7% menos unidades e preço 3,3% maior — o formato que ganhou espaço em 2026 é justamente o que menos repassou preço, como mostramos no post sobre o avanço do atacarejo no ano.

Ruptura caiu, não venda subiu: o custo que não aparece no relatório de vendas

Três números do mesmo relatório explicam por que a margem some antes de o dono perceber:

  • Ruptura de 4,7% (-0,5 p.p.): menos prateleira vazia;
  • Não venda de 11,7% (+1,3 p.p.): mais cliente saindo sem levar o que queria;
  • 46 dias de estoque (+6 dias): mais capital parado.

Ler os três juntos muda o diagnóstico. Menos falta na gôndola, mais produto no depósito e, ainda assim, mais gente indo embora de mãos vazias não é problema de compra — é de mix, de disponibilidade na seção certa e de preço fora da referência da vizinhança. Em perecível, esse desencontro tem prazo: o que não vendeu até ontem vira quebra hoje.

Promoção demais, retorno de menos

Com o consumo em queda, o varejo apertou a oferta: o peso promocional chegou a 26,2% (+1,2 p.p.) e o desconto médio a 20,5% (+0,5 p.p.). No mesmo movimento, a venda incremental perdeu 3,9 p.p. frente a setembro de 2025.

Mais produto em oferta, desconto maior e menos venda adicional gerada. Quando um quarto do faturamento vive em promoção, o desconto deixa de ser exceção e passa a ser o preço esperado. A pergunta que a planilha precisa responder é simples: quantas unidades a mais aquela oferta trouxe? Se a resposta é "nenhuma", o desconto saiu direto da margem.

O que medir antes de reprecificar o hortifruti

  1. Custo de reposição, não custo médio. Se o tomate subiu 24,54% em um mês, a margem de amanhã depende do preço da próxima carga, não do que está no estoque desde a semana passada.
  2. Quebra por item e por dia. Perecível com preço em alta vende menos volume e sobra mais. Sem ficha de quebra por item, a perda só aparece no fechamento do mês, quando já não dá para agir.
  3. Preço por unidade versus embalagem. Os 5,7% de alta por unidade vieram quase inteiros do preço por volume (+5,6%); o tamanho médio da embalagem variou 0,1%. O cliente sente no volume, não no formato.
  4. Substituição no básico. Arroz +5,80% no IPCA-15 e mercearia básica -4,2% em valor no varejo: o cliente está trocando marca. Quem não tem a alternativa na gôndola perde a venda para quem tem.
  5. Não venda, não só ruptura. 11,7% é o tamanho do problema que a ruptura de 4,7% esconde.

Onde o sistema da loja precisa segurar isso

Nada disso se resolve com talento no olho. Resolve-se com cadastro de preço ligado ao custo de reposição, estoque por item e por seção, ficha de quebra e um relatório de não venda que o gerente consiga ler na segunda-feira de manhã.

É esse conjunto que a Catronis trata como rotina: sistema para hortifruti e varejão, controle de estoque com ruptura e não venda por item, e a operação completa descrita em sistema para supermercado. Sem promessa de milagre: o preço de compra subiu, alguém precisa decidir o que fazer com isso — e a decisão precisa estar no sistema, não no WhatsApp do encarregado.

Ressalva honesta

Os levantamentos deste post não medem a mesma coisa. O IPCA-15 é média de 11 regiões, com cesta de consumo das famílias, e a coleta de outubro foi feita entre 16 de setembro e 14 de outubro. O Radar Scanntech olha vendas em mesmas lojas de setembro. O levantamento de preços de varejo da Neogrid, divulgado pela CNN Brasil, também é de setembro e usa notas fiscais — outra metodologia, outra janela.

Nenhum deles substitui o seu relatório. A pergunta que vale para a sua loja é qual item da sua seção de perecíveis subiu mais de 10% no custo nas últimas quatro semanas e o que aconteceu com a margem dele. Se você não consegue responder isso hoje, o dado de mercado não ajuda: ele só antecipa o problema.

Fontes

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