Quem emite nota fiscal em lote — e todo supermercado emite, na transferência entre lojas, na venda para empresa e na devolução ao fornecedor — vai precisar rever o processo até abril. A Nota Técnica 2023.002, versão 1.02, publicada no Portal Nacional da NF-e em 26 de outubro, acaba com a autorização assíncrona da NF-e (modelo 55) e da NFC-e (modelo 65). Na prática, o sistema emissor manda a nota e espera a resposta da SEFAZ na mesma comunicação. Enviar o lote e buscar o resultado depois deixa de existir.
O cronograma é 1º de fevereiro de 2027 para homologação e 5 de abril de 2027 para produção. A partir dessa data, quem enviar no modo assíncrono recebe a rejeição 129 — "A autorização deve ser solicitada de forma síncrona", criada pela regra de validação GAP03a-6.
Assíncrono e síncrono: onde está a diferença
No envio assíncrono, o emissor manda um lote de documentos, recebe um número de recibo e consulta o resultado minutos depois. É rápido para tirar muita nota de uma vez e é confortável para quem programa: a nota sai, o retorno chega quando chegar. No envio síncrono, a resposta vem no mesmo retorno do envio — o sistema fica preso à conversa com a SEFAZ até ela terminar.
Para a NFC-e, o lote de um documento só já era regra (GAP03a-4, rejeição 126 — "Enviado lote com mais de 1 NFC-e"). A novidade da versão 1.02 é outra: a exigência do envio síncrono passa a valer também para a NF-e, que era o último documento em que o lote ainda fazia sentido.

As datas da NT 2023.002 v1.02, na ordem em que chegam à loja. Fonte: Portal Nacional da NF-e e Ajustes SINIEF 38/2026 e 40/2026
Por que uma nota por vez pesa na retaguarda
Um supermercado não emite NF-e só na venda ao consumidor: emite na transferência de mercadoria entre lojas, na venda para empresa — restaurante, padaria, feira que compra com nota —, na devolução ao fornecedor e na remessa para conserto. São documentos que costumam sair em bloco, no fim do dia, quando o movimento do caixa diminui.
Com o envio síncrono, cada um desses documentos vira uma conversa completa com a SEFAZ. O que muda no dia a dia não é a quantidade de notas: é o que acontece quando a resposta demora. Passam a contar tempo limite por documento, nova tentativa individual e a garantia de que uma rejeição no meio da fila não deixa documento sem resposta — problema que aparece de madrugada, com o fechamento do mês esperando.
No caixa, a regra nova não muda a vida de quem já envia NFC-e de forma síncrona. Muda a necessidade de conferir se o emissor realmente envia assim: o modo assíncrono é justamente o atalho usado para ganhar tempo em dia de movimento alto, e é esse atalho que deixa de existir.
O que conferir antes de fevereiro de 2027
- Indicador de envio: confirmar no emissor se existe rotina que use o modo assíncrono e para quais modelos de documento.
- Tempo de resposta: medir a autorização síncrona em horário de pico, não em dia calmo — é no pico que a fila aparece.
- Comportamento no tempo esgotado: quando a SEFAZ não responde, o sistema repete o envio, duplica a nota ou trava a fila inteira?
- Contingência: conferir qual modo entra em ação na NF-e (EPEC ou FS-DA) e como a NFC-e continua vendendo com o serviço fora do ar.
- Homologação em 1º de fevereiro: é a primeira janela real de teste; quem deixar para abril acaba testando em produção.
O que não muda
A numeração sequencial continua obrigatória e a quebra de sequência continua exigindo controle interno. O fim do pedido de inutilização no Acre, na Bahia e em São Paulo é outra mudança, com outro prazo: entra em vigor em 1º de novembro pelos Ajustes SINIEF 38/2026 e 40/2026, e a SEFAZ passa a recusar pedidos a partir de 11 de novembro — assunto do post sobre o fim da inutilização.
Vale uma ressalva honesta: as datas são as do cronograma publicado, e cronograma de nota técnica muda com informes do próprio portal — a íntegra da NT 2023.002 v1.02 é a única fonte que vale na hora de programar o serviço. O resumo das mudanças publicado pelo Portal Contábeis em 28 de outubro ajuda a levar o assunto para a reunião com o contador.
O caminho até abril
Nada muda no caixa na semana que vem nem no fechamento deste mês: o que está em jogo é a fila de emissão quando o envio em lote deixar de ser aceito. Quem operou a loja em contingência sabe o tamanho do problema — a venda acontece, o cupom sai, a nota fica pendente e a conta aparece dias depois, na conferência fiscal.
É essa espera que o PDV Off-line da Catronis resolve no balcão: a venda é concluída e o cupom sai mesmo quando a SEFAZ não responde, com a nota transmitida assim que o serviço volta — sem prender a fila do caixa. Na retaguarda, o AuditorFiscal mostra quais documentos ficaram pendentes, rejeitados ou em contingência antes de o mês fechar, e o ERP Catronis concentra a emissão de NF-e de transferência e de venda a empresa no mesmo lugar. É o caminho para chegar em abril de 2027 com a emissão conferida, e não com nota parada.
